Na Globo, belíssimas imagens do Carnaval no sambódromo .
Na filiada MultiShow, um daqueles habituais programas sexuais.
Até então tudo normal. Festa da Carne mesmo, né?
O que não se explica a olho nu é a contradição no conteúdo das mensagens.
Explico, no meio da apresentação de uma das escolas, um comentarista é interrompido pelo âncora para chamar o VT de um patrocinador de peso. O Ministério da Saúde. Entra comercial ressaltando a importância do uso da camisinha. Normal.
Zapping. Multishow, Sexcetera. Areias de Copacabana. O apresentador gringo diz que um amigo também gringo irá o guiar pelo paraíso sexual que é o Brazil, onde, segundo os produtores do programa, a prostituição é legalizada. Pasmem. Eles pronunciam esta frase de forma categórica e a escrevem em lettering com letras garrafais. Pra incrementar, imagens de boates de strip, cenas fundidas de ruas e praias onde os gringos deitam, rolam e se lambuzam com as tiazinhas.
Last channel. A profusão não pára, segue no ritmo frenético da bateria da matriz e atinge o clímax com o gran finale: uma enquete satiriza o mega patrocinador do Carnaval.
O Ministério da Saúde do Brasil:
a) Incentiva a indústria pornográfica com suas campanhas
b) Faz piada com o uso da camisinha num país onde tudo vale
c) Desconhece a real do país que deveria ministrar
d) Todas as alternativas anteriores
Tá de sacanagem, né? Não me lembro exatamente como era apresentada a enquete mas era bem por aí. E pensar que o programa certamente foi aprovado por um moderador e precisamente inserido na grade de horários. Foda demais ou sou eu que tô muito careta?
Como disse, é uma contradição a olho nu mas basta despir-se de alguns pré-conceitos e se aventurar pelos anais da história que estarão lá todas as artimanhas para coação em massa.
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